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Volkswagen Jetta 2019: O Sedã Redesenhado Está à Altura das Expectativas?

Volkswagen Jetta 2019: O Sedã Redesenhado Está à Altura das Expectativas?

A sétima geração do Volkswagen Jetta traz uma nova plataforma, um interior renovado e funcionalidades tecnológicas atualizadas, como Apple CarPlay e Android Auto. Mas será que conduz melhor do que o modelo que substitui? Fomos testar o Jetta redesenhado no México para descobrir como se compara em desempenho do motor, conforto de condução, comportamento dinâmico e qualidade do interior.

Produção e Motor: Uma Cadeia de Fornecimento Global

O aspeto mais interessante da berlina Volkswagen Jetta de sétima geração, à primeira vista, é a logística de produção. A Volkswagen optou por não localizar o modelo em Níjni Novgorod, o que significa que os automóveis fabricados no México são equipados com motores fabricados na Rússia. Os motores atmosféricos de quatro cilindros 1.6 MPI (CWVA) da família EA211, produzidos em Kaluga desde o outono de 2015, são transportados por via marítima até à fábrica de montagem em Puebla, no México. A partir daí, regressam a casa sob o capô de berlinas totalmente novas.

Os nossos carros de teste estavam equipados com o motor turbo 1.4 TSI (CZDA) de 150 cavalos. A disponibilidade de transmissão varia consoante o mercado:

  • Rússia: apenas transmissão automática de seis velocidades
  • Outros mercados: automática de oito velocidades ou DSG de dupla embraiagem
  • Não serão oferecidas transmissões robotizadas (DSG) na Rússia

O público-alvo provavelmente irá acolher bem a mudança para a hidromecânica tradicional, vendo-a como mais duradoura. Para mim, no entanto, trata-se de um retrocesso — anos de desenvolvimento tornaram as caixas DSG fiáveis e eliminaram praticamente a rudeza que outrora as afetava.

A ergonomia manteve-se exemplar. O volante e a unidade de climatização mantiveram-se inalterados em relação ao modelo anterior. Os materiais de acabamento são, no mínimo, tão bons como antes. As saídas de ar centrais trocaram de lugar com o ecrã multimédia.

Desempenho do Motor: Suave, mas Menos Emocionante

Lembro-me bem do quão divertido era conduzir o antigo Jetta com este motor turbo. Ao conduzir o novo modelo, não sinto o mesmo. O “quatro” de 1,4 litros acelera normalmente, até bem, mas associado à transmissão automática, o seu carácter parece atenuado. A potência desenvolve-se de forma tão suave e calma — quase aborrecida — que o motor turbo pode facilmente ser confundido com um motor atmosférico de dois litros. Ainda assim, é fácil gerir a aceleração se conseguirmos ignorar o atraso do acelerador. Esse atraso diminui ligeiramente no modo Sport, mas nunca desaparece por completo.

Qualidade de Condução e Afinação da Suspensão

Nas afinações da suspensão, percebe-se que a Volkswagen procurou um equilíbrio entre suavidade e eficiência — uma prioridade tanto para o mercado mexicano como para o russo. Por vezes, o carro reproduz pequenas imperfeições da estrada com demasiado detalhe, podendo sacudir sobre lombas curtas e acentuadas. As irregularidades transversais provocam vibrações parasitas nas jantes de 17 polegadas. Pelo lado positivo, o Jetta lida sem drama com lombas de trânsito não sinalizadas.

Ruído na Cabine: Silencioso na Cidade, Mais Alto na Autoestrada

No trânsito urbano moderado, o ruído no interior mantém-se dentro de limites razoáveis. O som do motor está bem isolado e a suspensão é silenciosa sobre irregularidades. Na autoestrada, porém, as coisas mudam. O ruído de rolamento dos pneus Bridgestone Ecopia EP422 torna-se percetível entre os 70 e os 79 km/h e aumenta com a velocidade, acabando por assumir o protagonismo. O ruído do vento também se junta, mas é preciso atingir pelo menos 120 km/h antes de as perturbações aerodinâmicas se tornarem notórias.

Como Mudou o Posicionamento Global do Jetta

Antes de falar do comportamento dinâmico, vale a pena rever como a Volkswagen reposicionou o Jetta a nível mundial. A sexta geração era vendida em dois níveis distintos:

  • Europa (nível superior): gama de motores própria, suspensão traseira multibraço, eletrónica avançada e acabamento interior mais sofisticado
  • América (nível de entrada): berlinas simplificadas com eixo de torção na traseira, um único barramento CAN em vez de dois, e plásticos mais rígidos
  • China: uma gama totalmente separada, desenvolvida e comercializada de forma independente
A sétima geração do Jetta cresceu 52 mm em comprimento (4.702 mm), 21 mm em largura (1.799 mm), e a distância entre eixos aumentou 34 mm (2.685 mm). Apenas a altura diminuiu, em 23 mm

A nova geração mantém esta abordagem de dois níveis. Agora é o Jetta GLI topo de gama que segue para os Estados Unidos, construído com componentes emprestados dos modelos Golf de maior desempenho: suspensão traseira multibraço vinda da carrinha, um motor a sério da GTI e travões R-line. Os modelos padrão, embora vendidos ao lado do GLI nos Estados Unidos, destinam-se sobretudo a mercados mais sensíveis ao preço. A dada altura, no início da década, o Jetta chegou a ser posicionado como possível base para a sua própria família de veículos — mas o escândalo Dieselgate pôs fim a esses planos. Embora esse ramo nunca tenha vingado no Ocidente, criou raízes noutro lugar: uma nova marca Jetta independente foi lançada com sucesso na China.

Comportamento Dinâmico: Previsível, mas Pouco Emocionante

O Jetta anterior à crise, com a sua suspensão traseira multibraço, comportava-se bem. A mudança para uma configuração MQB de eixo de torção mais económica não é ideal, mas também não piorou. A precisão e a previsibilidade da direção mantêm-se consistentes com o esperado: um volante leve e moderadamente rápido, um ponto central bem definido e uma resistência que aumenta de forma lógica à medida que nos afastamos dele. O Jetta reage como seria de esperar de uma Volkswagen. Ainda assim, este “progresso” não parece uma verdadeira melhoria, tendo em conta o que o motivou.

As raras curvas que ligam as estradas retas da Península do Iucatão não convidam propriamente a procurar um percurso mais interessante. A berlina simplesmente vira de forma obediente, endireitando a trajetória sob aceleração. A transição para uma derrapagem controlável para o exterior é suave, mas não esperem a emoção de equilibrar o carro no limite. Os travões, pelo menos, funcionam bem, com uma desaceleração totalmente satisfatória.

Melhorias no Interior e Novas Funcionalidades Tecnológicas

Testar o Jetta no México deixa-nos com uma sensação de expectativas por cumprir. Ainda assim, algumas melhorias voltadas para o consumidor são genuinamente positivas:

  • Qualidade de acabamento interior melhorada
  • Funcionalidade do sistema multimédia aprimorada
  • Novo suporte para Apple CarPlay e Android Auto
  • Volante aquecido opcional (em certos acabamentos)
  • Bancos traseiros aquecidos opcionais (em certos acabamentos)
Os tubos cromados são decorativos. O silenciador está localizado à esquerda, e o tubo de escape duplo sai para baixo.

O Que Falta: Alguns Passos Atrás

Ao contrário da geração anterior, que parecia um modelo totalmente novo quando foi lançada em 2011, apesar de não ser estruturalmente nova, esta sucessora não parece especialmente renovada. E alguns pormenores até pioraram:

  • As saídas de ar centrais desapareceram, anulando o benefício de um maior espaço para as pernas atrás
  • Os apoios de cabeça traseiros ficam agora permanentemente elevados, bloqueando a visão pelo espelho retrovisor
  • A capacidade da bagageira não aumentou, e o acabamento parece menos cuidado do que antes

Desempenho de Vendas: O Novo Jetta Consegue Competir?

O Jetta da geração anterior nunca foi líder de segmento, e os números de vendas confirmam isso. Em 2018, foram vendidas apenas 3.813 unidades — quase três vezes menos do que as 11.068 unidades do Kia Cerato vendidas no mesmo período. Ficou também atrás do Hyundai Elantra produzido localmente (5.344 unidades) e do Ford Focus (4.743 unidades), bem como do Toyota Corolla importado (5.199 unidades):

  • Kia Cerato: 11.068 unidades
  • Hyundai Elantra: 5.344 unidades
  • Toyota Corolla: 5.199 unidades
  • Ford Focus: 4.743 unidades
  • Volkswagen Jetta: 3.813 unidades

Apesar da nova plataforma, duvido que esta geração do Jetta venha a superar as vendas da anterior. Os compradores que realmente precisam de uma berlina tendem a olhar antes para uma classe de veículos mais acessível.

Jetta vs. Skoda Octavia: Como se Compara?

No segmento de classe golf, o líder de vendas continua a não ser uma berlina — é o liftback Skoda Octavia. Aliás, logo após este test drive do Jetta no México, assisti à apresentação estática da Octavia de nova geração em Praga. A minha conclusão: mesmo que o modelo checo de cinco portas acabe por ser mais caro do que o Jetta, que partilha a mesma plataforma, continuo sem encontrar um único argumento a favor da Volkswagen. Ao lado da Octavia, o Jetta simplesmente parece apagado em comparação.

Veredicto Final

O Volkswagen Jetta redesenhado traz melhorias reais na tecnologia e nos materiais do interior, mas o seu carácter de condução perdeu parte da centelha que tornava a geração anterior tão agradável de conduzir. Combinado com um desempenho de vendas fraco face a rivais como o Kia Cerato, o Hyundai Elantra e o Toyota Corolla, o novo Jetta enfrenta uma batalha difícil — especialmente com o Skoda Octavia a elevar a fasquia dentro da mesma classe.

Esta é uma tradução. Pode ler o original aqui: https://www.drive.ru/test-drive/volkswagen/5dd665a8ec05c46e190000ee.html

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