O Chevrolet Trailblazer, um crossover compacto, não partilha nada além do nome com o SUV de estrutura separada produzido até 2010, nem com o seu sucessor ainda vendido na América Latina, no Sudeste Asiático e no Médio Oriente. Este modelo tem as suas raízes no Buick Encore apresentado em Xangai em 2019 — um recomeço, um novo conceito e um novo tipo de comprador: alguém aberto a ter um motor de três cilindros sobrealimentado debaixo do capot.
Motorização e Transmissão: O Que Está Debaixo do Capot?
O Trailblazer chegou ao mercado dos EUA com duas opções de motor de três cilindros com sobrealimentação. A variante de 1,2 litros com 139 cv não encontrou o seu público, e hoje apenas a unidade mais potente de 1,3 litros — classificada com 150 cv e 236 N·m de binário — sai da linha de montagem na Coreia do Sul. Eis como a transmissão se distribui por versão:
- Tração dianteira: associada a uma caixa automática de conversor de binário e uma suspensão traseira de barra de torção
- Tração integral (versões Active e RS): utiliza a caixa automática de nove velocidades Hydra-Matic 9T45 com eixo traseiro de funcionamento intermitente
- Suspensão traseira: configuração semi-independente complementada com barra de Watt, semelhante ao último Astra da era GM

Trailblazer Active vs. RS: Qual a Diferença?
A GM oferece duas versões de topo com tração integral para o Trailblazer — a Active e a RS. Uma é comercializada como companheira de aventura ao ar livre, a outra como uma máquina desportiva para a cidade. Na prática, as diferenças são maioritariamente estéticas:
- Diferentes estilos e detalhes de acabamento interior e exterior
- Diferentes tamanhos de jantes (17 polegadas na Active, 18 polegadas na RS)
- A Active monta pneus Hankook Ventus S1 Evo 2 SUV 225/60 R17 — mais macios e confortáveis
- A RS usa pneus Continental UltraContact UC6 225/55 R18 — ligeiramente mais firmes
- Apesar da imagem de aventura, a Active tem 183 mm de altura ao solo — um centímetro completo a menos do que os 194 mm da RS
O Trailblazer tem um aspeto marcante nas fotografias promocionais da Chevrolet junto ao Grande Canhão, e mantém a mesma presença ao vivo. Os faróis de díodos emissores de luz opcionais evocam comparações tanto com o Hyundai Creta como, para alguns, até com o Camaro.
Qualidade e Equipamento Interior: O Bom e o Mau
O interior do Trailblazer fica melhor em fotografia do que ao vivo. De perto, alguns problemas de qualidade de acabamento tornam-se evidentes:
- Os anéis cromados do climatizador parecem soltos
- Os botões de aquecimento dos bancos traseiros rangem
- O plástico rígido é utilizado em demasiados pontos de contacto
Dito isto, a ergonomia é sólida. A disposição dos controlos é intuitiva, o painel de instrumentos com os seus mostradores analógicos clássicos é fácil de ler, e o ecrã tátil de oito polegadas responde bem. Em termos de conectividade:
- Apple CarPlay e Android Auto são ambos suportados
- Os gráficos do sistema multimédia são simples mas funcionais

Espaço, Conforto e Equipamento: Onde Fica Aquém o Trailblazer?
O espaço interior é competitivo para a sua categoria. A linha do tejadilho é suficientemente alta para entrar sem se curvar, e os passageiros traseiros têm espaço razoável para as pernas — os pés encaixam naturalmente por baixo do banco dianteiro. Contudo, o espaço para os joelhos atrás depende da altura do condutor; um condutor com mais de 1,87 m empurrará visivelmente o banco para o espaço do passageiro traseiro. A mala é um ponto forte: excelente geometria e um piso limpo de dois níveis. A cobertura da mala está, estranhamente, listada como acessório de concessionário em vez de equipamento de série.
Quanto ao equipamento, mesmo a configuração de topo apresenta algumas lacunas notáveis:
- Sem para-brisas aquecido nem zona de repouso dos limpa-vidros aquecida
- O ajuste elétrico do banco e o suporte lombar são exclusivos do condutor
- O modo automático dos vidros elétricos é exclusivo do condutor
- Sem saídas de ar traseiras na segunda fila
- Sem controlo de temperatura do climatizador traseiro
- Um aquecedor de 1 kW é o principal meio de aquecer o habitáculo em tempo frio
Desempenho do Motor: Como Se Sente a Conduzir o Turbo de 3 Cilindros?
Ao colocar o Trailblazer na posição de marcha, o motor turbo responde com mais vivacidade do que seria de esperar. O binário está disponível numa ampla gama de 1.600 a 4.000 rpm, mas a força real surge por volta das 3.000 rpm. Na condução urbana, a motorização é genuinamente capaz — não há razão para pensar no número de cilindros no trânsito da cidade. A caixa de nove velocidades está bem calibrada no seu único modo de funcionamento, embora hesite ligeiramente quando são necessárias várias mudanças descendentes em rápida sucessão.

Na autoestrada, o desempenho é diferente. Acima dos 88–97 km/h, o motor entra num modo intermitente de poupança de combustível. Em percursos longos de autoestrada, o conta-rotações tende a manter-se entre 4.500 e 6.000 rpm sob aceleração sustentada — o que evidencia as limitações da cilindrada de 1,3 litros a velocidades elevadas.
Ruído, Vibração e Qualidade de Marcha
O isolamento sonoro do Trailblazer é genuinamente impressionante para este segmento. O motor de três cilindros sobrealimentado mantém-se silencioso mesmo sob carga, e a baixas velocidades o habitáculo é praticamente silencioso, sem vibrações percetíveis. As principais fontes de ruído são:
- Passagens de roda — a principal fonte de ruído de rodagem a todas as velocidades
- Ressonância na zona da mala — audível na segunda fila
- Nota de escape a fundo do acelerador — presente mas não intrusiva
Em geral, é fácil conversar no habitáculo a velocidades normais de estrada sem elevar a voz.
A suspensão absorve bem as imperfeições menores do piso, mas os obstáculos maiores transmitem-se de forma mais notória como vibração no volante e movimentos da carroçaria. Um impacto brusco a alta velocidade vai sacudir os ocupantes, embora os batentes hidráulicos de retorno nos amortecedores impeçam o toque de fundo mesmo em buracos sérios.
Comportamento e Direção: Seguro, Mas Com Ressalvas
O Trailblazer é estável em curvas amplas e não se desequilibra facilmente em manobras de evasão bruscas — a inclinação em curva está presente mas controlada. A direção, no entanto, tem algumas desvantagens notáveis:
- Pouco retorno ao centro — sensação limitada de aderência dos pneus através do volante
- O esforço aumenta com o ângulo de viragem, mas de forma inconsistente e não progressiva
- A transição de subviragem para sobreviragem em pisos soltos (gravilha ou terra) é abrupta
- O controlo de estabilidade demora a intervir durante derrapagens do eixo traseiro fora de estrada

Sistema de Tração Integral: Qual o Seu Desempenho Fora de Estrada?
O sistema de tração integral é ativado através de um botão atrás do seletor de marchas. Em alcatrão seco, a diferença entre os modos de tração dianteira e integral é quase impercetível — o principal benefício é a redução da patinagem das rodas durante acelerações bruscas. Fora de estrada, o sistema de tração integral justifica a sua presença:
- As velocidades em curva em caminhos de gravilha e terra são notavelmente superiores
- O automóvel é mais estável em curvas no modo de tração integral
- A embraiagem pode bloquear completamente, embora isto seja gerido automaticamente — o condutor não tem controlo manual sobre a distribuição de binário
- Segundo a Chevrolet, a tração integral está disponível em toda a gama de velocidades
Consumo de Combustível e Custos de Utilização
O depósito de combustível de 50 litros do Trailblazer parece modesto para um crossover comercializado com espírito de aventura — e exige gasolina de alta octanagem. Do lado positivo, o peso em ordem de marcha relativamente baixo (inferior a 1.500 kg) e a embraiagem de desacoplamento do veio do sistema de tração integral mantêm o consumo de combustível controlado. A um ritmo tranquilo, uma média combinada de cerca de 6,5 litros por 100 km é realista.

Veredicto: Vale a Pena Comprar o Chevrolet Trailblazer?
O Trailblazer deixa uma impressão mista. É um crossover compacto moderno e equilibrado, sem falhas evidentes — mas igualmente sem pontos fortes que o distingam dos concorrentes como o Hyundai Creta ou o Kia Seltos. Eis o resumo rápido:
- ✅ Habitáculo silencioso e refinado para um motor de três cilindros
- ✅ Boa ergonomia e sistema multimédia responsivo
- ✅ Sistema de tração integral capaz para uso ligeiro fora de estrada
- ✅ Consumo de combustível razoável a velocidades tranquilas
- ❌ Desempenho na autoestrada limitado acima dos 97 km/h
- ❌ Qualidade interior não corresponde ao preço pedido
- ❌ Funcionalidades em falta mesmo na versão de topo (para-brisas aquecido, saídas de ar traseiras, etc.)
- ❌ A direção tem pouco retorno e a lógica de estabilidade fora de estrada parece pouco desenvolvida
Como importação da Coreia do Sul, o Trailblazer é inevitavelmente um produto de nicho. O preço recomendado já é elevado, e os pacotes opcionais aumentam ainda mais o custo. A GM não está a perseguir volumes — mas escoar as unidades planeadas para 2022 seria sempre uma tarefa difícil.
Esta é uma tradução. Pode ler o original aqui: https://www.drive.ru/test-drive/chevrolet/61486807094d7944c87c4afb.html
Publicado Abril 14, 2022 • 7m de leitura