Os carros elétricos não são uma invenção recente — existem desde o final do século XIX, tendo competido em igualdade de condições com os veículos a motor de combustão interna (MCI) antes de serem ofuscados durante mais de um século. Então, por que motivo as coisas deveriam ser diferentes agora? A resposta está num componente crítico: a bateria de tração. Para que os veículos elétricos (VE) possam substituir seriamente os automóveis convencionais, três fatores precisam de se alinhar:
- Alta capacidade energética
- Produção em massa escalável
- Preços acessíveis
Hoje, estas três condições estão a ser cumpridas — e a revolução dos VE está em pleno curso.
Uma Breve História: Das Farmácias ao Combustível dos VE Modernos
O progresso nas infraestruturas de carregamento e nas redes de troca de baterias é uma discussão separada, igualmente importante. Mas a história lembra-nos que os desafios de infraestrutura nunca detiveram os pioneiros determinados. Quando Bertha Benz realizou a primeira viagem automóvel de longa distância do mundo em 1888, a gasolina só estava disponível nas farmácias — vendida como solvente de limpeza. Isso não a deteve. Os desafios atuais em torno das redes de carregamento, do aprovisionamento de matérias-primas e da reciclagem de baterias em fim de vida estão a ser ativamente abordados, com progressos significativos alcançados nos últimos anos.

O Que Matou o Primeiro Carro Elétrico de Produção em Massa?
O documentário de 2006 «Quem Matou o Carro Elétrico?» conta a história do General Motors EV1 — considerado o primeiro automóvel elétrico produzido em série da era moderna. Eis os factos principais:
- Produzido de 1996 a 1999
- 1.117 unidades fabricadas, todas oferecidas apenas em regime de leasing
- Programa encerrado em 2003; quase todos os veículos foram recolhidos e destruídos
- Apenas alguns exemplares do EV1 sobreviveram, preservados em museus
- As opções de bateria variavam entre 16,5 kWh e 26,4 kWh
- Autonomia recalculada pela EPA: 89 a 169 km por carga
As teorias da conspiração apontaram o dedo ao lobby petrolífero. Independentemente da verdadeira causa, o desaparecimento do EV1 atrasou a adoção generalizada dos VE em mais de uma década.
Capacidade das Baterias: De Dezenas a Centenas de Quilowatts-hora
Compare as modestas especificações de bateria do EV1 com os VE de ponta disponíveis atualmente. Vários modelos atuais oferecem baterias que variam de 100 a mais de 200 kWh, com autonomias homologadas de 600 a 1.600 km, dependendo da norma de teste utilizada (EPA, WLTP, NEDC). Exemplos notáveis incluem:
- Tesla Model S — até 405 milhas (EPA)
- Lucid Air — mais de 500 milhas (EPA), atual recorde mundial
- Aptera — autonomia assistida por energia solar superior a 1.600 km
- Nio ET7 — opção de bateria de estado sólido de 150 kWh
- Zhiji L7 — bateria de 115 kWh com autonomia alargada
- Aito M5 — opção híbrida de autonomia alargada
- GMC Hummer EV — bateria de 212,7 kWh
Para além das especificações oficiais, os recordes de resistência no mundo real sublinham ainda mais o quanto a tecnologia de baterias evoluiu. Condutores entusiastas demonstraram que veículos como o Tesla Model S e o Hyundai Kona Electric conseguem ultrapassar os 1.000 km numa única carga, através de uma condução cuidadosa e eficiente em termos energéticos.

Produção em Massa: A Escala É Agora Enorme
A produção global de baterias de tração cresceu de forma dramática. A produção mundial mensal atinge agora quase 22 GWh — o equivalente a cerca de 550.000 hatchbacks Nissan Leaf de segunda geração (cada um equipado com uma bateria de 40 kWh) produzidos todos os meses.
Os fabricantes de VE obtêm células e pacotes de baterias de iões de lítio através de duas abordagens principais:
- Fornecedores externos — adquirindo células e módulos a fabricantes especializados de baterias como a CATL, a LG Energy Solution e a Panasonic
- Gigafábricas próprias — construindo instalações de produção proprietárias, frequentemente em parceria com os mesmos especialistas em baterias, como a Tesla fez com a Panasonic
Preços das Baterias: Uma Queda de Dez Vezes Numa Década
Talvez o argumento mais convincente para a transição para os VE seja a queda dramática nos custos das baterias. De acordo com os dados da Bloomberg NEF:
- 2010: 1.200 dólares por kWh (média da indústria)
- 2021: 132 dólares por kWh (média da indústria para camiões elétricos, autocarros e armazenamento estacionário)
- 2021: 118 dólares por kWh (veículos elétricos de passageiros especificamente)
Isso representa uma redução de mais de dez vezes no custo ao longo de onze anos. Embora o aumento dos preços das matérias-primas — particularmente do lítio, do cobalto e do níquel, impulsionado pela procura crescente em 2021 — tenha exercido alguma pressão ascendente, ela é insignificante em comparação com a tendência descendente geral.
O Que Vem a Seguir? Carregamento Mais Inteligente, Baterias Mais Leves
Novas reduções significativas de preço nos pacotes de baterias poderão ser mais difíceis de alcançar. No entanto, a indústria tem caminhos alternativos a seguir. Uma rede de carregamento mais densa — tanto nas cidades como nas autoestradas — poderia reduzir a necessidade de pacotes de baterias cada vez maiores, permitindo aos fabricantes apostar em baterias mais pequenas, mais leves e mais baratas sem sacrificar a usabilidade.
As tecnologias emergentes que poderiam reformular a equação incluem:
- Carregamento sem fios em movimento — estradas equipadas com tecnologia de carregamento por indução que recarregam as baterias durante a condução
- Baterias de estado sólido — maior densidade energética, carregamento mais rápido e maior segurança em relação à química de iões de lítio atual
- Bateria como serviço (BaaS) — modelos de troca de baterias por subscrição, já implementados em escala pela Nio na China
- Integração veículo-rede (V2G) — utilização das baterias dos VE como armazenamento de energia distribuído para suportar a estabilidade da rede elétrica
Permanecem questões em aberto sobre a viabilidade económica das infraestruturas de carregamento generalizadas, o crescimento da capacidade da rede, a segurança, a fiabilidade e o mix energético mais amplo que alimenta estes veículos. Mas a direção da viagem é clara — e o ímpeto por trás das baterias para veículos elétricos nunca foi tão forte.
Esta é uma tradução. Pode ler o original aqui: https://www.drive.ru/kunst/61b35118155032c35768508a.html
Publicado Março 10, 2022 • 5m de leitura